Cigarro e DII

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Mais uma matéria excelente da revista ABCD (Ano 3 No 13) sobre a correlação entre cigarro e DII:

Ninguém agüenta mais ouvir falar do mal que o cigarro faz à saúde. Os prováveis diagnósticos para quem gosta de dar umas tragadas com freqüência são mais do que conhecidos: “O cigarro faz mal ao coração e dá enfarte”; “O cigarro faz mal aos brônquios e dá enfisema pulmonar”; “O cigarro pode levar à impotência”; “O cigarro dá câncer”. Não é nossa intenção converter fumantes inveterados — até porque, com a campanha maciça de alerta aos males do cigarro que há anos é feita no mundo inteiro, quem fuma sabe bem o que está fazendo. A nossa conversa é com os pacientes de doenças inflamatórias intestinais. Estes sim, precisam conhecer exatamente as conseqüências do fumo para o seu diagnóstico. E, nesse caso, o doente de Crohn está em maus lençóis. “Apesar de a predisposição genética ser mais importante para o desenvolvimento das DII do que a influência de fatores ambientais, é indiscutível o mal que o cigarro faz para a doença de Crohn”, diz a gastroenterologista Dra Cyrla Zaltman, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O cigarro não só dobra a possibilidade de o indivíduo predisposto de fato desenvolver a doença, como o seu quadro costuma ser mais grave”. Segundo a médica, que tem Crohn e fuma, tem mais crises e maior necessidade de usar medicamentos como os imunossupressores.

Em contrapartida, no que diz respeito à retocolite ulcerativa a história é diferente. Os médicos não gostam de chamar a atenção para o fato, mas estudos realizados mostraram que, por incrível que pareça, o fumo acaba protegendo a doença. Nos casos específicos de retocolite ulcerativa, as conseqüências das tragadas são até benéficas. Isso entusiasmou de tal maneira os estudiosos, que se chegou a desenvolver medicamentos de uso transdérmico contendo nicotina (como os adesivos que as pessoas colam no corpo quando querem parar de fumar). Só que a coisa parou aí. Pondera daqui, reflete dali, verificou-se que os efeitos colaterais das drogas e as conseqüências sobre o pulmão e o sistema cardiovascular eram tão importantes que seu emprego não se justificava. Resumindo, o cigarro é péssimo para quem tem Crohn, bom para quem tem retocolite ulcerativa e ruim pra todo mundo.

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  • Anna Luiza

    Pra vc ver que qualquer coisas pra ser considerada ruim, depende do ponto de vista!! E se vc tivesse retocolite, arriscaria um cigarrinho?